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mai 27, 2021

Cuidados virtuais num mundo pós-pandémico: três prioridades fundamentais para os profissionais de saúde

By Roy Jakobs
Chief Business Leader Connected Care

Tempo de leitura estimado: 7-9 minutos

À medida que olhamos para um mundo pós-pandémico, os profissionais de saúde interrogam-se: de que forma poderemos transformar a tecnologia a que recorremos em tempos de crise em soluções eficientes, sustentáveis e seguras que promovam cuidados de qualidade e pró-ativos?


Prevejo três prioridades fundamentais para os profissionais de saúde, à medida que estes se vão preparando para a emergência contínua dos cuidados virtuais como padrão de cuidados: informática e integração de dados para fornecer cuidados de saúde independentemente da localização; redes de TI interoperáveis e seguras; e adoção de uma abordagem de plataforma baseada em nuvem que propicie flexibilidade e escalabilidade.

Informática inteligente como propulsor dos cuidados de saúde independentemente da localização

 

Durante a pandemia, os nossos clientes, um pouco por todo o mundo, perceberam que, com as soluções adequadas, a definição dos cuidados de saúde pode deixar de ser feita de acordo com um local específico, passando a reger-se pelas necessidades do paciente e pelo seu estado de saúde. A força desta solução não reside nas capacidades a nível de áudio ou de vídeo, mas sim na inteligência inerente ao processo de recolha, análise e representação de dados disponibilizados à classe médica.


Os profissionais de saúde privilegiam sobremaneira o desenvolvimento de estratégias de cuidados virtuais que não se restrinjam a meras consultas de avaliação e interessam-se pela prestação de cuidados centrados no estado de saúde do paciente, fora do ambiente clínico. De acordo com o nosso relatório do Índice de Saúde Futura 2021, que resulta de um inquérito realizado a quase 3.000 profissionais de saúde em 14 países, estes profissionais preveem que, daqui a três anos, em termos médios, 23% dos cuidados de rotina continuarão a ser prestados em ambiente extra-hospitalar, e que o próximo passo será estendê-los em tempo real a doentes urgentes e à gestão de doenças crónicas.


Os doentes graves que habitualmente necessitavam de internamento hospitalar e de assistência médica constante poderão, a breve trecho, beneficiar de soluções interligadas que permitem monitorizar em ambiente domiciliar estas fases de cuidados intensivos, contribuindo para aliviar a assistência médica em ambiente hospitalar. Os dispositivos médicos portáteis equipados com integração segura de dados podem ajudar a garantir que os prestadores de cuidados se mantenham informados e a orientar de forma segura o processo de tomada de decisão sobre a necessidade de consulta ou de hospitalização do paciente. Ao adotar uma abordagem integral aos cuidados intensivos – monitorizando os pacientes desde o pré-internamento até ao período pós-alta – os prestadores de cuidados de saúde podem ajudar a manter os pacientes num ambiente mais confortável e de baixo custo e a afetar de melhor forma os recursos de acordo com o risco.


No que diz respeito à gestão de doenças crónicas, há uma necessidade imediata de voltar a interagir com doentes crónicos que adiaram as suas consultas durante o período pandémico e de disponibilizar meios para intervenções atempadas, antes que se verifique uma escalada dos problemas de saúde. Por exemplo, os doentes com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) poderão utilizar ventiladores interligados que forneçam dados a uma plataforma de software baseada em nuvem, que mantém as equipas de cuidados informadas e aptas a personalizar a assistência. Os doentes com suspeita de arritmias cardíacas podem ser continuamente monitorizados – com a deteção de arritmias como a fibrilação auricular – de forma atempada no conforto da sua própria casa. Os pacientes podem sentir-se motivados a aderir ao seu tratamento, tirando simultaneamente partido de uma monitorização cómoda e passiva.

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A crescente descentralização da prestação de cuidados é concomitante a uma evolução da nossa ligação humana como pacientes e prestadores de cuidados. Há uma curva de aprendizagem natural que permite entender estas novas dinâmicas e preferências, tanto no caso dos pacientes como dos prestadores de cuidados. Enquanto algumas pessoas podem estar ansiosas por se envolver neste mundo virtual, há outras que podem mostrar-se hesitantes ou preferir consultas presenciais. Cada vez mais, os prestadores de cuidados terão de estabelecer contacto com os pacientes no local onde estes se encontrem e de adaptar a sua abordagem de forma a satisfazer as preferências dos pacientes em relação à forma e à calendarização da prestação de cuidados. Esta mudança torna-se mais fácil graças ao acesso do prestador de cuidados a uma visão longitudinal da saúde holística dos pacientes, assente numa estrutura informática fiável que garante uma tomada de decisão e uma colaboração seguras. Graças a esta abordagem, os pacientes entram em contacto com os prestadores de cuidados na altura certa ao longo do seu percurso de tratamento.


Em cada consulta, quer virtual, quer presencial, os prestadores de cuidados passam a dispor de um panorama completo das interações de um paciente com os crescentes pontos de acesso aos cuidados de saúde, o que lhes permite melhorar o envolvimento do paciente e a confiança clínica e, mais importante ainda, ajudar a melhorar a experiência do prestador de cuidados e do paciente.

Implementação de soluções interoperáveis e seguras  

 

Numa altura em que esta visão avançada de cuidados intensivos e de tratamento de doenças crónicas se perfila no horizonte, as entidades de saúde, para obterem sucesso, precisam de infraestruturas sólidas de partilha de dados e de um padrão que permita um trabalho conjunto destas tecnologias em qualquer plataforma ou local. De acordo com o relatório do Índice de Saúde Futura 2021, dois dos maiores obstáculos à adoção de tecnologias digitais de saúde tinham a ver com dificuldades na gestão de dados (44%) e com a falta de interoperabilidade e normas de dados entre plataformas tecnológicas (37%). O futuro dos cuidados virtuais depende de soluções seguras, independentes e bem integradas, que permitam traduzir dados díspares em perceções aplicáveis.


Além disso, as entidades de saúde devem garantir a existência de infraestruturas adequadas que permitam proteger o fluxo contínuo de dados ou evitar, durante a prestação de cuidados, lacunas graves na prevenção de riscos ou mesmo falhas de segurança. A aplicação de API abertas e de padrões aprovados, como o IHE-HL7, poderá ajudar a facilitar o intercâmbio de dados entre várias fontes e fabricantes em todo o espectro de prestação de cuidados, para que os prestadores de cuidados possam prestar os cuidados adequados na altura certa e com o mínimo de fricção. Garantindo a interoperabilidade das tecnologias entre plataformas e localizações geográficas, os sistemas de saúde podem proteger melhor os dados que fluem em todo o seu sistema e proporcionar maior segurança contra ataques maliciosos. Os sistemas de saúde precisam de um parceiro que adote uma abordagem pró-ativa na proteção de dados de saúde sensíveis em todos os dispositivos, sistemas e configurações, de modo que os administradores hospitalares, os prestadores de cuidados de saúde e os pacientes tenham confiança na forma como os cuidados são prestados.


A existência de sistemas integrados e seguros é particularmente importante na configuração das UCI. Por exemplo, sem uma estrutura sólida que permita uma integração de dados sem incidentes, os intensivistas e os clínicos só veem o que está a acontecer à sua frente, em vez de tomarem decisões informadas com base numa visão holística da saúde de um paciente. O prestação remota de cuidados a pacientes em UCI, conhecida por tele-UCI, baseia-se numa recolha contínua de dados, numa visualização avançada dos mesmos e numa análise preditiva que permitam a prestação de cuidados pró-ativos, em vez de reativos, bem como ajudar a detetar, de forma mais célere, as tendências de agravamento do estado de saúde dos pacientes.


As vantagens das soluções interoperáveis não se circunscrevem, de forma alguma, ao aumento da quantidade de dados, incluindo igualmente a melhoria da qualidade dos mesmos, de forma a facilitar a implementação de futuras inovações. Quando derrubamos os muros entre os quais os dados estão enclausurados e os agregamos em lagos de perceções aplicáveis relativas aos pacientes, podem abrir-se portas a posteriores inovações – como a inteligência artificial – que possibilitem a tomada de decisões clínicas mais seguras.


Um sistema de saúde construído de forma a ser verdadeiramente interoperável e seguro é um sistema de saúde que apoia e garante um percurso contínuo dos pacientes em todas as etapas da prestação de cuidados – e é um sistema que pode evoluir para satisfazer as necessidades futuras num mundo em constante mutação.

Promover a escalabilidade através de plataformas digitais de saúde

 

Nesta ótica, é fundamental proporcionar aos sistemas de saúde a flexibilidade que lhes permita implementar e explorar ferramentas virtuais de forma gradual. É por isso que as entidades de saúde estão a recorrer cada vez mais a soluções escaláveis e baseadas em nuvem, as quais, além de agilizarem e facilitarem a adoção de novas capacidades, contribuem igualmente para a transparência do custo total de propriedade.


As estratégias de cuidados virtuais não podem constituir um curativo aplicado a soluções fragmentárias já existentes ou que venham a ser criadas e que funcionem de forma isolada. Para obterem sucesso, os prestadores de cuidados deverão considerar a adoção de uma abordagem de plataforma que permita a interligação dos cuidados em todas as etapas do processo e que esteja equipada com aplicações específicas que satisfaçam as suas necessidades concretas. As plataformas em nuvem, além de permitem inovações mais rápidas, reduzem igualmente a procura de manutenção de TI, uniformizam os níveis de serviço e a utilização e permitem que os prestadores de cuidados se redimensionem rapidamente de acordo com as necessidades. Com a inteligência incorporada, os prestadores de cuidados podem obter melhor assistência ao processo de decisão clínica.


Na mesma ordem de ideias, temos vindo a assistir a um aumento de popularidade de modelos de software como serviço, como a monitorização de empresas, um modelo previsível, baseado no consumo, que uniformiza a tecnologia de monitorização das empresas hospitalares e presta os serviços clínicos e técnicos necessários para melhorar o seu desempenho e os desfechos clínicos. Estes modelos podem uniformizar e redimensionar a monitorização dos pacientes, com baixo nível de custos, o que foi crucial durante o período pandémico.

Os cuidados virtuais vieram para ficar, mas ainda temos trabalho pela frente.  

 

O recurso a cuidados virtuais disparou durante o período pandémico, por uma questão de necessidade, mas estas novas soluções podem ser muito mais do que correções pontuais. Criar espaço para uma forma totalmente nova de prestação de cuidados de saúde constitui um problema complexo. A solução reside numa informática inteligente, que leve a prestação de cuidados para lá das paredes do hospital, garantindo uma transferência de dados segura e sem problemas e equipando as entidades de saúde com ecossistemas escaláveis e interligados. Os cuidados virtuais vieram para ficar, mas serão necessários esforços concertados para reimplementar estas soluções como modelos de prestação de cuidados, a fim de melhorar a coordenação de prestação de cuidados na ótica do paciente

 

For more information on Philips’ solutions that will be showcased at the virtual HIMSS European conference, visit: https://www.philips.com/himss and follow @PhilipsLiveFrom for updates. For continued conversations around Philips’ innovation in health informatics, join us virtually or in-person at HIMSS Global taking place August 9-13, 2021 in Las Vegas, NV, USA.

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Roy Jakobs

Roy Jakobs

Chief Business Leader Connected Care

Roy Jakobs is Executive Vice President and Chief Business Leader for the Connected Care businesses of Royal Philips, effective January 28, 2020. He is also a member of the Executive Committee of Royal Philips. Connected Care comprises the Connected Care Informatics, Monitoring & Analytics, Population Health Management, Sleep & Respiratory Care and Therapeutic Care businesses. Prior to this, Roy led Philips’ Personal Health businesses.

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