Descubra o que os especialistas e pacientes dizem, e aprender mais sobre o impacto que teve sobre o seu tratamento vidas CPAP

Paula Pinto

Paula Pinto

 

Coordenadora da Unidade de Sono e Ventilação não Invasiva do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte

 

Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa

Associação Portuguesa de Sono

 

Março 2017

A síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma patologia com elevada prevalência na população e com enormes consequências clínicas, sendo considerada actualmente um problema de Saúde Pública. A síndrome de apneia do sono é uma situação caracterizada por paragens respiratórias que se repetem várias vezes ao longo da noite e que originam diminuição dos níveis de oxigénio no sangue e despertares. Estes levam a uma má qualidade do sono, que se pode traduzir em hipersonolência durante o dia, podendo o doente adormecer com facilidade mesmo a conduzir ou no local de trabalho. Por outro lado, a redução dos níveis nocturnos de oxigénio no sangue podem levar a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, enfarte e arritmias e tem sido apontada como responsável pelo aumento da mortalidade observada nestes doentes. Num estudo realizado na consulta de Patologia do Sono do Centro Hospitalar Lisboa Norte, verificou-se que em 305 doentes com síndrome de apneia do sono, 60% dos mesmos apresentavam hipertensão arterial, 12% sofriam de enfarte e 11% de arritmias.

Os doentes com síndrome de apneia do sono são frequentemente obesos, com um ressonar muito intenso, com pausas respiratórias visualizadas durante o sono, hipersonolência durante as actividades diárias e muito frequentemente apresentam também doenças cardíacas associadas.

 

A apneia do sono é um factor de risco para hipertensão arterial, sendo esse risco tanto maior quanto maior a gravidade da doença. De facto, a síndrome de apneia do sono é altamente frequente na população de doentes hipertensos, podendo atingir prevalências de cerca de 47%. A síndrome de apneia do sono é actualmente considerada também um factor de risco para o desenvolvimento de doença coronária, nomeadamente enfarte do miocárdio, podendo estar presente em cerca de 25% dos doentes com apneia do sono. Os doentes com esta patologia apresentam um risco duas a quatro vezes superior de desenvolverem arritmias, sendo a fibrilhação auricular a mais frequente. A presença de arritmias nocturnas em doentes com apneia do sono pode explicar o aumento da prevalência de morte súbita nestes doentes.

A prevalência de apneia do sono entre os doentes que já tiveram acidentes vasculares cerebrais é elevada, podendo variar entre 44 a 74% e confere um maior risco de mortalidade prematura.
 

Quando existe a suspeita desta situação, o doente deverá ser encaminhado para uma consulta especializada de sono, para que seja efectuado o diagnóstico de síndrome de apneia do sono, através de um estudo do sono que se denomina polissonografia e que é um exame não doloroso, consistindo numa monitorização do sono efectuada durante a noite por técnicos especializados e que permite avaliar a gravidade da patologia, para que o seu médico escolha o tratamento mais adequado. Para além da perda de peso nos doentes obesos e da evicção do tabaco e de bebidas alcoólicas, existe um tratamento muito eficaz para a apneia do sono, que consiste na utilização de um ventilador, designado por CPAP e que funciona através de uma máscara que se aplica no nariz durante a noite e que fornece ar a uma pressão contínua, impedindo que as vias respiratórias fechem, não ocorrendo assim as paragens da respiração. Desta forma, com o CPAP a pessoa respira normalmente durante a noite, permitindo um sono reparador levando ao desaparecimento da hipersonolência diurna e diminuindo grandemente o risco de doenças cardiovasculares.