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mai 12, 2020

Os enfermeiros são a espinha dorsal dos nossos sistemas de saúde e precisam da nossa ajuda
 

É o Dia Internacional dos Enfermeiros e não posso pensar num melhor momento para refletir sobre o papel crucial que estes incríveis homens e mulheres desempenham na luta contra a pandemia global que todos nós estamos a viver. Os enfermeiros constituem a maior secção de trabalhadores da saúde em todo o mundo; são frequentemente as primeiras caras que vemos quando chegamos ao hospital, e as pessoas que velam por nós se estamos doentes em casa. Ao dar apoio clínico e emocional aos pacientes, diria que eles são o coração das nossas comunidades de cuidados de saúde. No entanto, quando falo hoje em dia com amigos enfermeiros e antigos colegas, eles dizem-me que precisam, mais do que nunca, de apoio. Eis as minhas reflexões sobre a forma como os podemos ajudar.

À medida que os casos globais ultrapassam os 4,1 milhões, a crescente procura de cuidados de saúde veio lançar luz sobre um problema global crítico: não existem enfermeiros em número suficiente. Como as salas de emergência transbordam e o sistema começa a ceder sob a pressão da pandemia, os administradores hospitalares têm de encontrar formas criativas de satisfazer a necessidade de pessoal. Alguns hospitais estão a empregar profissionais de saúde reformados para preencher áreas do hospital onde podem não estar a ver  pacientes com COVID-19 para libertar outros enfermeiros, e outros estão a retirar enfermeiros de funções não-clínicas como departamento de qualidade. O Reino Unido lançou, inclusivamente, legislação de registo temporário COVID-19 para alargar a mão-de-obra de enfermagem a indivíduos apropriados e experientes. Com a necessidade de mais pessoal, a escassez de equipamento de protecção individual (EPI) é um problema ainda mais significativo. Embora o EPI estivesse disponível em condições normais, pede-se agora aos enfermeiros que racionem e reutilizem os fornecimentos limitados de que dispõem.

 

O que podemos nós fazer? Penso que é fundamental dotarmos os enfermeiros de meios que lhes permitam ter uma visibilidade sem entraves do bem-estar dos seus pacientes, quer a partir da sua casa, quer dentro do hospital. Os pontos de contacto de monitorização regular, através de dispositivos ligados ao domicílio, podem dar informação aos  enfermeiros de modo a garantir que os doentes que não estão suficientemente doentes, para serem admitidos, possam receber cuidados à distância. A investigação mostra que muitos enfermeiros estão prontos para isso. O relatório do 2020 Future Health Index (FHI) [1] concluiu que quase quatro em cada cinco enfermeiros mais jovens acreditam que as tecnologias digitais de saúde podem ter um impacto positivo nos resultados e experiência dos doentes

Dentro do hospital há três formas fundamentais de apoiarmos os nossos enfermeiros.
 

Em primeiro lugar, como muitos enfermeiros são chamados a assumir responsabilidades que normalmente não têm, o material de formação é essencial. Por exemplo, os tutoriais em vídeo podem ajudá-los a acelerar rápidamente a sua formação, desde a ventilação invasiva até à monitorização básica dos pacientes.

 

Em segundo lugar, dado o aumento de pacientes em cuidados críticos, o número de alertas do sistema de monitorização que atraem a atenção de um enfermeiro pode levar a um cansaço de alarme. Soluções de monitorização de doentes que classificam estes alertas e são configuráveis para o fluxo de trabalho de cada organização, ajudam os enfermeiros a compreender a fonte e o risco associado a cada um deles.

 

Por último, porque a segurança dos nossos enfermeiros é primordial, temos de limitar o mais possível o seu contacto com os doentes infetados, fornecendo soluções de monitorização que apoiem a sua capacidade de prestar cuidados fora do quarto do doente. Temos visto os sistemas de saúde adotarem formas de limitar a exposição do pessoal, tais como a colocação de fios fora das salas dos pacientes para monitorizar e bombas intravenosas, ou a implementação de soluções de visualização remota ou a utilização de comandos à distância. Mesmo depois da COVID-19, podemos esperar que a adoção de soluções de monitorização sem contacto, tais como biosensores portáteis ou sistemas baseados em câmaras que possam medir sinais vitais sem a necessidade de um toque humano, continue a crescer.

 

No ano passado, o meu pai foi hospitalizado com pneumonia e eu pude confortá-lo à beira da sua cama. Não consigo imaginar comunicar com ele apenas por telefone ou através de uma enfermeira, como é o caso das famílias dos pacientes com COVID-19. Os enfermeiros reconhecem como isto é difícil. Eles são humanos: vêem como é dolorosa e real a separação, e isso também lhes parte o coração. Quanto mais pudermos apoiar os cuidados domiciliários durante a fase inicial da doença, tanto melhor. E assim que um doente é transferido para o hospital, os meus amigos enfermeiros dizem-me que ajuda enormemente as famílias a poderem ver o seu familiar doente e falar com ele através de dispositivos conectados.

 

Esta mudança para a saúde em casa é crucial. Esta pandemia ocorre ao mesmo tempo que as se assiste à mudança nos cuidados de saúde que continuam a evoluir no sentido de cuidados baseados em valores. As organizações que tiram partido das plataformas de gestão da saúde baseadas na população podem acompanhar melhor os percursos individuais de cuidados ao paciente, colmatar lacunas nos cuidados e intervir atempadamente para os pacientes de alto risco. Estas plataformas estão a ajudar as organizações de saúde a identificar e dar prioridade às suas populações de doentes de alto risco com base em conjuntos de códigos específicos relacionados com a COVID-19.

 

Estas avaliações pré-configuradas podem permitir-lhes monitorizar os doentes que foram diagnosticados com o vírus, ou aqueles que foram submetidos a rastreio. Por exemplo, o Groene Hart Hospital nos Países Baixos está a utilizar a solução de monitorização COVID-19 da Philips para gerir o volume crescente de doentes, facilitando a utilização de testes on-line, questionários de acompanhamento e monitorização a partir da casa de um doente para evitar visitas desnecessárias ao hospital.

 

Penso que isto também ajudará a reduzir o esgotamento entre os enfermeiros. Mesmo antes da pandemia do coronavírus, os enfermeiros já se encontravam sob um enorme stress. O relatório da FHI mostrou que quase três em cada quatro jovens profissionais de saúde sofrem de stress relacionado com o trabalho. E dos inquiridos, cerca de um em cada três considerou abandonar a profissão em resultado deste stress, sendo mais provável que os enfermeiros o façam. Temos de prestar muita atenção a esta geração mais jovem de enfermeiros na linha da frente da COVID-19 e aprender com eles a fazer todos os possíveis para ajudar a melhorar o seu equilíbrio entre a vida profissional e familiar no futuro.

 

Esta pandemia vai dar-nos a oportunidade de aprender, crescer e estar mais bem preparados para uma próxima crise. Com demasiada frequência, pensamos nos cuidados de saúde como uma instituição. Mas os heróis na linha da frente são mães e pais, filhos e filhas, irmãs, irmãos, amigos e vizinhos. Estão a sacrificar a sua saúde e a oportunidade de estar em casa com os seus entes queridos para darem o seu melhor para cuidar dos seus pacientes. É fundamental dotar estas pessoas dos recursos e materiais de que necessitam para fazer o seu trabalho e prestar cuidados seguros e eficazes aos doentes.

 

Quando tudo isto for dito e feito, teremos aprendido o quão heróicos são realmente os nossos profissionais de saúde. O lado positivo de uma pandemia devastadora é que ela mostra o trabalho abnegado que está a ser desenvolvido nos hospitais de todo o mundo, que muitas vezes passa despercebido em tempos mais calmos. Se todos encorajamos a bondade, celebramos as boas notícias e somos um pouco mais compreensivos, podemos ajudá-los a superar a atual situação e inspirar-nos com os seus sacrifícios.

1O Relatório FHI 2020 entrevistou quase 3.000 profissionais de saúde jovens, todos com menos de 40 anos, em 15 países, para saberem como estão preparados para responder às exigências dos cuidados de saúde do futuro.

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Cindy Gaines

Chief Nursing Officer Population Health Management at Philips.

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